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MPF contesta contador e diz que recibos ocultam imóvel atribuído a Lula

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Para Lava-Jato, depoimento de João Leite é ‘inverossímil’ e ‘corrida ao hospital’ para colher assinaturas é anormal

O Globo / Foto: reprodução

SÃO PAULO – A Força-Tarefa da Operação Lava-Jato contesta a versão apresentada pelo contador João Muniz Leite em depoimento no mês passado, quando ele foi ouvido pelo juiz Sergio Moro sobre o caso dos recibos do apartamento alugado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva do empresário Glaucos Costamarques, apontado como laranja do petista.

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Neste ação penal, Lula é acusado de ter recebido propina da Odebrecht por meio da compra do apartamento, cuja propriedade teria sido ocultada por intermédio de Costamarques — primo de José Carlos Bumali, que é pecuarista e amigo de Lula. O ex-presidente nega as acusações.

O Ministério Público Federal apresentou na noite desta quinta-feira as alegações finais sobre a veracidade dos recibos de aluguel. Para os procuradores, o depoimento do contador é “inverossímil”. Mais uma vez, eles disseram que é “óbvio” que os documentos são falsos e não fazem prova de pagamento.

João Leite afirmou a Moro que foi duas vezes ao Hospital Sírio Libanês em 3 e 4 de dezembro de 2015 para visitar Costamarques, que estava internado na unidade. O contador contou que na primeira visita foi apenas como “amigo” de Costamarques. No dia seguinte, porém, João Leite disse que aproveitou para pegar assinaturas que faltavam nos recibos de aluguel de Costamarques para atender seu rito de organização dos documentos de seus clientes.

O contador, que era responsável pelas declarações de imposto de renda de Costamarques e de Lula, afirmou que tinha apreço pelo empresário e que o considerava “como se fosse um pai”.

“É, no mínimo, inusitada a cena de o contador ter diligenciado para obter assinatura de locador, durante período de internação hospitalar. Recibos de aluguel são assinados de maneira gradual. A assinatura em bloco, numa mesma ocasião – e, ademais, em um leito hospitalar – de recibos referentes a um período longo de locação (todos os recibos de 2015, além de diversos de 2014) – escapa a essa situação de normalidade”, diz o MPF nas alegações finais ao juiz Sergio Moro.

O MPF lembra ainda que grampos telefônicos mostram que Costamarques e o escritório do advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula e contratante do contador, se falaram 12 vezes entre 25 de novembro e 17 de dezembro, quando o empresário estava internado no hospital. Os investigadores ainda ressaltam que duas dessas ligações foram feitas pelo escritório de Roberto Teixeira a Costamarques em 25 de novembro de 2015, um dia após a prisão de Bumlai pela Lava-Jato.

Outro argumento apontado pela Força-Tarefa é de que as quebras de sigilos bancários não comprovam nenhuma transferência de pagamentos referente ao aluguel feitas das contas de Lula e de suas empresas ou da ex-primeira dama Marisa Letícia para as contas de Costamarques. Segundo os investigadores, também não foram encontrados depósitos não identificados em espécie nas contas do empresário com valores próximos ao aluguel cobrado do petista.

O MPF chegou a pedir a Moro uma perícia para comprovar a autenticidade dos recibos. Porém, em dezembro os procuradores acabaram desistindo da perícia. Em seu despacho mais recente no caso, em 19 de dezembro, e Moro afirmou que não havia mais necessidade de fazer provas.

OUTRO LADO

Em nota sobre as alegações finais do MPF, a defesa do ex-presidente diz que o MPF “abusa do direito de acusar” e reforça a prática do “lawfare” (uso de meio jurídicos para perseguição política) contra Lula. Segundo a defesa, os recibos de aluguel são autênticos e idôneos.

O advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, ressalta que Glaucos da Costamarques é corréu na ação e que prestou depoimento sem o compromisso da verdade.

“O Ministério Público Federal quer atribuir valor probatório à declarações de Costamarques no que se refere aos aluguéis, mas ao mesmo tempo despreza sua afirmação de que é o proprietário do imóvel e não “laranja” de Lula”, diz Zanin.

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