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Setembro Amarelo: Cremepe promove lives no mês de conscientização à prevenção ao suícidio

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Isolamento; solidão; violência doméstica; luto; desemprego e demais problemas financeiros são algumas das mazelas trazidas pela pandemia da Covid-19 em todo o mundo. Em 2020 a campanha do Setembro Amarelo tem um novo viés devido ao surgimento destes gatilhos que podem desencadear uma crise global na saúde mental.

Neste mês, o Cremepe promoverá encontros online com a participação de médicos psiquiatras que esclarecerão questões importantes quanto à saúde mental em meio à pandemia e terão início na próxima quinta-feira (17/09) sobre a 4ª onda, dia 22/09 sobre Suicídio e Covid-19 e dia 24/09 sobre Comportamento suicida: o que o clínico precisa saber.

A conselheira do Cremepe e médica psiquiatra, Milena França, explica a importância da campanha do Conselho voltada ao Setembro Amarelo. “O suicídio é uma emergência médica, por isso é importante alertar a comunidade a respeito dos números alarmantes que envolvem este problema. No mundo a cada 40 segundos acontece um suicídio. Isso é estarrecedor, é preciso agir.”, afirmou.

Dados
Múltiplos fatores podem estar por trás de um possível aumento do risco de suicídio. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 800 mil pessoas se suicidam por ano em todo o mundo. No Brasil são quase 12 mil casos por ano.
Segundo Milena França, os pensamentos suicidas têm relação, em sua maioria, com problemas psíquicos de base, como a ansiedade, estresse e depressão. Cerca de 96,8% dos casos de suicídio estão relacionados a transtornos mentais. Em primeiro lugar está a depressão, seguida do transtorno bipolar e abuso de substâncias.

Na China foi realizado um levantamento, na fase inicial da pandemia, que apontou que 13,8% das pessoas passaram a manifestar sintomas depressivos leves, 12,2% apresentaram sintomas moderados e 4,3%, graves. O abuso do álcool também apresentou números alarmantes. Somente no Brasil, dados publicados pela Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead) em maio apontam crescimento de 38%.

De acordo o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Antônio Geraldo da Silva, a pandemia tem efeitos diretos na saúde mental da população. “Eventos estressores, como a pandemia, podem desencadear e/ou agravar os sintomas. Eles intensificam o medo, o sentimento de vazio, a angústia e a sensação de perda de forças, o que resulta no aumento dos sintomas. É necessário, portanto, buscar tratamento adequado antes que o quadro se agrave”, explica Antônio.

Gatilho
Segundo Antônio Geraldo, a ansiedade pela incerteza do futuro quanto ao trabalho e à vida financeira, o medo de contaminar-se, de transmitir a doença aos familiares mais próximos pode atrapalhar na qualidade de vida e ditar o dia a dia do indivíduo, tornando a pandemia um gatilho para problemas psíquicos.
“A sensação de medo do desconhecido e das consequências que ainda estão por vir é um dos principais relatos das pessoas quando se fala das implicações do atual cenário. É natural, e até mesmo saudável, que haja uma certa dose de preocupação, visto que é uma situação inédita para muitos de nós e que é necessária uma adaptação. A ansiedade é uma reação natural e nos propicia maiores chances de nos prepararmos para possíveis desafios e soluções. Entretanto, quando o medo começa a tomar proporções prejudiciais, é preciso acender o sinal de alerta”, explica.

A quarta onda da Covid-19

A quarta onda da pandemia da Covid-19 envolve os impactos da doença na saúde mental da população, seja por traumas psíquicos causados por acontecimentos específicos ou piora do adoecimento psiquiátrico pré-existente.

Para Antônio Geraldo, a quarta onda já começou. “Diferente das outras ondas, relacionadas aos impactos imediatos da pandemia, a quarta onda segue em crescimento até atingir um platô e não apresenta redução a curto prazo, ou seja, os seus impactos já começaram e estão, infelizmente, distantes do final”, diz o psiquiatra.

“Na população em geral, durante a pandemia, observamos três possíveis cenários: pessoas que nunca tiveram nenhum sintoma de doença mental e começaram a apresentar sintomas; pacientes que já haviam recebido alta médica podem retornar ao consultório com recidiva da doença; e pacientes que ainda estão em tratamento podem ser os seus sintomas agravados devido à pandemia”, explica Antônio.

Programação

A 4° onda é o tema da primeira live da programação para o Setembro Amarelo do Cremepe, com apresentação do médico psiquiatra Antônio Geraldo e moderação do também psiquiatra Antônio Peregrino, na próxima quinta-feira (17/09) a partir das 19h e será transmitida através do canal do Youtube e Facebook do Conselho.

Na ocasião, serão tratados pontos como: o papel da sociedade na promoção da saúde e na prevenção das doenças mentais, com foco na campanha Setembro Amarelo da ABP e do CFM, a relação da quarta onda, dos impactos da pandemia na saúde mental da população e a situação dos casos de óbito por suicídio no Brasil. “Falar de saúde mental durante este momento é imprescindível, principalmente no cuidado com a população, sejam eles profissionais que estão na linha de frente do atendimento à Covid-19, ou a população em geral”, finaliza o médico.

A programação relacionada ao Setembro Amarelo terá continuidade nos próximos dias 22 e 24 de setembro, a partir das 20h, respectivamente, com os temas: “Suicídio e Covid-19”, apresentada pela psiquiatra Kátia Petribú e moderação de Mabel Cavalcanti e “Comportamento Suicida: o que o clínico precisa saber?”, com o psiquiatra Leonardo Machado e Anderson Armstrong.

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