Início Notícias Governo debate implantação de gás natural nas indústrias do gesso do Sertão...

Governo debate implantação de gás natural nas indústrias do gesso do Sertão do Araripe

253
Foto: divulgação

Representantes do governo e Sindugesso discutem as etapas da transição energética das empresas da região.

O Sertão do Araripe é hoje responsável pela produção de 97% do gesso no Brasil. Para impulsionar ainda mais esta produção, Pernambuco está dando mais um passo no projeto de fornecimento de gás natural para as indústrias do Polo Gesseiro. O governo de Pernambuco, por meio da Secretaria da Fazenda (Sefaz-PE), da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas),  Secretaria de Desenvolvimento Econômico e suas vinculadas, Companhia Pernambucana de Gás (Copergás) e Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe), reuniu-se com representantes do sindicato da Indústria do Gesso do Estado de Pernambuco e com a deputada Socorro Pimentel para discutir as etapas da transição energética das empresas da região.

Para a transição energética das indústrias, é necessário adquirir equipamentos como queimadores automáticos a gás, exaustores, tubulações, isolamento térmico, sistema automático de controle e supervisão. Os custos são de, aproximadamente, R$ 1 milhão. Hoje, a principal fonte de energia utilizada é a queima da lenha, matriz energética escassa e que promove o desmatamento da Caatinga. Com a adoção do gás natural, a indústria local será mais moderna e sustentável, com uma combustão mais limpa.

Para esta adequação dos fornos, o Sindicato da Indústria do Gesso do Estado de Pernambuco (Sindugesso) apresentou ao secretário da Fazenda, Wilson José de Paula, um pleito formal para a desoneração do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na aquisição dos equipamentos necessários para a transição energética dos fornos que fazem a queima do material para a produção do gesso.

“A governadora Raquel Lyra tem essa pauta do Araripe como prioridade de governo. Iniciamos com a isenção do ICMS para o gás natural que será fornecido pela Copergás para o setor, anunciada em fevereiro pela governadora. Agora precisamos de novas parcerias estruturadas para garantir infraestrutura e viabilidade econômica, atraindo novos negócios para Pernambuco e contribuindo para o desenvolvimento”, afirmou o secretário da Fazenda, Wilson José de Paula. O pleito será pelo Conselho de Política Tributária da SEFAZ – órgão colegiado firmado pelo corpo técnico da Secretaria de Fazenda.

A secretária executiva de Sustentabilidade da Semas, Karla Godoy, destacou a necessidade de envolvimento de várias frentes do governo para a modernização do setor gesseiro em Pernambuco. “A atuação para a descarbonização do pólo do Araripe não abrange apenas a redução do desmatamento e o esforço para o reflorestamento da caatinga, mas também mostra sua importância econômica e sustentável para o gesso, agregando mais valor ao produto, podendo chegar ao mercado de exportação, que exige certificados de produção limpa”, explicou a gestora.

“A mudança da matriz energética, que atualmente está concentrada na biomassa da madeira da caatinga e do eucalipto, representará um marco tanto na dimensão do ganho de produtividade e simplicidade nas operações de produção do gesso. Os equipamentos e serviços necessários para essa transição precisarão contar com o apoio do governo do Estado, a fim de garantir o sucesso da conversão dos fornos a gás natural”, revelou o presidente do Sindugesso, Jefferson Duarte.

A Copergás, com o aumento do consumo na região, irá construir um terminal de regaseificação no Araripe, semelhante aos já existentes em Petrolina, no Sertão do São Francisco, e em Garanhuns, no Agreste. “Esse esforço para modernizar as indústrias do polo gesseiro do Araripe traz benefícios para todo o Estado. Temos que garantir, também, a capacitação das pessoas que irão trabalhar com essa nova matriz energética, movida a gás natural, garantindo a geração de recursos humanos para a região. Todas essas ações estão alinhadas com a política de desenvolvimento para Pernambuco da governadora Raquel Lyra e da Secretaria de Desenvolvimento Econômico”, pontuou o presidente da Copergás, Felipe Valença.

A Deputada estadual Socorro Pimentel, destacou que a região é responsável por 97% de todo o gesso produzido no Brasil. “A região do Araripe tem potencial para ser o mote do desenvolvimento de Pernambuco e do Brasil, que governos anteriores não enxergaram. Outras matrizes energéticas já foram citadas para as indústrias, mas não foram colocadas em prática. Temos abundância e qualidade do gesso produzido nos cinco municípios que compõem o polo”, destacou a parlamentar. A gipsita (matéria-prima do gesso) encontrada nos municípios de Araripina, Bodocó, Exu, Ipubi, Santa Filomena e Trindade é considerada de alta qualidade, com a pureza do minério variando entre 88% e 98%.

GÁS NATURAL – Em fevereiro, a governadora Raquel Lyra anunciou, junto com a vice-governadora, Priscila Krause, em Araripina, o início do projeto de abastecimento do gás natural, pela Copergás do Polo Gesseiro do Araripe, proporcionando sustentabilidade à produção. O investimento inicial é na ordem de R$ 6 milhões. Para incentivar as empresas a adotarem a nova forma energética, o Governo do Estado zerou o ICMS do gás que será vendido para as indústrias do gesso.

O Polo do Araripe tem capacidade para consumir cerca de 320 mil metros cúbicos de gás natural por dia. Isso equivale a 20% do volume distribuído pela Copergás e superior a outras distribuidoras de gás natural.

Em março, a Copergás realizou a quarta visita técnica à região com o objetivo de viabilizar a conversão do abastecimento dos fornos. Os trabalhos começaram em setembro de 2023, acompanhados de representantes da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe), Suape, Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de Pernambuco (SECTI) e Fiepe. Em outubro de 2023, foi feita a segunda visita, ampliando o número de parceiros para CPRH, Secretarias Estaduais da Fazenda, de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco, de Desenvolvimento Econômico e Companhia Estadual de Habitação e Obras (Cehab).

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here