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Que inveja do Ceará!

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Por Magno Martins

Na época dos coronéis cearenses, de César Cals, passando por Adauto Bezerra, Virgílio Távora e Gonzaga Mota, entre os anos 70 e 80, Fortaleza era uma província, Recife já era a capital do Nordeste, independente do poderio econômico de Salvador, movido ao óleo cru do petróleo. O tempo se encarregou da renovação política e administrativa. O grande timoneiro saiu do meio empresarial, um homem já rico, que se fez grande gestor e produziu uma escola de gestão alicerçada do chamado Estado-empresa.

Atende pelo nome de Tasso Jereissati, governou o Ceará com visão empresarial. Acabou com as mamatas. Só de jornalistas, demitiu mais de 200 parasitas que sugavam o erário nem nunca dar um dia de expediente. Cortou na carne, passando a navalha até reduzir despesas de pessoal de 70% para pouco mais de 40%. Pôs fim aos privilégios, criou um plano estratégico, leis específicas para atrair capital privado. O Estado, notadamente a capital Fortaleza, passaram a escrever um novo paradigma.

Nunca mais o Ceará regrediu. Tasso fez escola, elegeu Ciro Gomes, Ciro deu prosseguimento às mudanças e os Gomes nunca mais foram derrotados. Há pouco, cria dos Gomes, o prefeito Roberto Cláudio (PDT) elegeu um poste como sucessor, Sarto Nogueira, que começou a vida pública como vereador, foi eleito deputado estadual e é, atualmente, presidente da Assembleia Legislativa.

Tasso é, hoje, senador da República, Ciro eterno candidato ao Planalto, Roberto Cláudio pinta como sucessor do governador Camilo Santana (PT), em 2022. Essa escola de bons gestores levou Fortaleza, quem diria, a um feito inédito: transformou-se no maior PIB entre as três capitais mais importantes do Nordeste, deixando Salvador para trás e levando Recife à condição de lanterninha, em terceiro lugar.

Os números, por si só, falam mais alto. Nos últimos dois anos, inclusive este crucificado pela pandemia, o Ceará foi porta de entrada para 56.528 negócios, um crescimento de 16,30%, segundo o IBGE. Só este ano, quando a pandemia engessou os negócios, foram constituídos 8.965 novos negócios, contra 7,708 empresas abertas no ano passado. O setor de serviços saltou para 30.149 registros, enquanto foram instaladas 5.502 novas indústrias e 20.877 aberturas de novos comércios.

Na prática, o Ceará teve a maior alta do Brasil na produção industrial. Só em julho passado, ainda em meio à pandemia, gerou 5,7 mil novos empregos. De acordo com o IBGE, o crescimento real da indústria cearense chegou a 354,5%. Ficou acima do Espírito Santo (28,3%), superou a média do Nordeste (17,5%) e bateu até o crescente Amazonas (14,6%). Ainda segundo o IBGE, a alta cearense é reflexo da retomada das atividades econômicas e unidades produtivas após a paralisação da Covid-19.

Diferente do Recife, que na gestão Geraldo Júlio (PSB), o incompetente e falastrão, cresce feito rabo de cavalo, para baixo, Fortaleza se agiganta por políticas públicas bem geridas, por um continuísmo gerencial que deu certo, no Estado e na capital, graças ao tino administrativo de Tasso Jereissati, que teve coragem e elevado espírito público para mudar a face de um Estado, a partir de 1987, que era visto apenas como o eldorado dos coronéis.

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