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Seca: o grande desafio dos prefeitos eleitos em Pernambuco

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altGrave crise hídrica que assola o Sertão do Estado preocupa novos gestores. Em Granito, no Sertão do Araripe, a criação de ovinos e caprinos praticamente não existe mais.

Por: Anderson Bandeira e Leonardo Malafaia /Folha de Pernambuco

Em Granito, no Sertão do Araripe, cidade com sete mil habitantes, a criação de ovinos e caprinos praticamente não existe mais. O prefeito eleito do município, João Bosco, considera que a situação “é gravíssima” e que a resolução passa pelo aumento dos mananciais na região com a construção de barragens e poços. Já o peemedebista Arquimedes Guedes Valença, prefeito eleito de Buíque, vê na ampliação do abastecimento de água, por meio de carros-pipas do Exército, a única salvação.

O prefeito eleito de Sertânia, no Sertão do Estado, Ângelo Ferreira (PSB), acredita que “o desafio é grande”, mas é preciso aprender a criar alternativas. “Não tem como combater a seca. É preciso aprender a conviver com ela. Temos que criar uma estrutura para quando chegar a água na torneira, no momento que você tiver as obras”, disse. Na sua visão, há uma série de obras da Compesa, algumas em fase de conclusão e outras já concluídas, que podem minimizar os impactos na zona rural e, consequentemente, na economia da região. “É importante investir na questão hídrica, pois assim há um aumento na produção, o agricultor precisa de condições para produzir”, concluiu.

Criado em 2013, o FEM visa apoiar os municípios pernambucanos na implantação de projetos que permitam a retomada de investimentos. Em 2015, foram repassados R$ 263 milhões. Mas o lançamento de novas edições é incerto, diante da crise econômica atual.

Planos frustrados

Com indicadores da Agência Nacional de Águas (ANA) apontando um crescimento de seca extrema, condição desfavorável do solo e uma piora na saúde da vegetação, os atuais prefeitos creditam em boa medida o seu insucesso nas urnas à atual crise hídrica.

E os números confirmam. Dos 184 municípios, apenas 48 gestores renovaram os seus mandatos. Ou seja, 136 chefes do Executivo assumirão pela primeira vez ou retornaram após passagem pelas prefeituras. O Agreste e Sertão, áreas mais atingidas pela estiagem, praticamente mudaram todos os comandos.

Apesar de ter promovido ações para o enfrentamento da seca para diminuir o sofrimento da população com o abastecimento de água, o prefeito de Sanharó, no Agreste, Fernando Edier (PCdoB), foi um dos que saiu derrotado das urnas. Ele perdeu para Heraldo de Sidônio (PSB). O administrador alega que sua gestão sofreu com a queda na produção da pecuária leiteira, principal atividade econômica da região. A situação precária fez com que muitos populares em desespero fossem bater na porta da prefeitura em busca de emprego.

Fechando o orçamento no limite da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o gestor argumenta que a administração municipal ficou de mãos atadas para resolver o problema. “A crise econômica nem chegou fortemente aqui. Conseguimos manter todos os serviços e pagar a folha de pagamento. Agora, o que mais me atrapalhou nos quatro anos foi a seca. A principal renda é a pecuária leiteira. Com cinco anos de seca, o rebanho sofreu bastante. Com isso, diversos produtores venderam o seu rebanho e ficaram sem fonte de renda levando muitos deles a procurarem a prefeitura”, lamentou o prefeito. Apesar do desgaste, o comunista garante que em sua gestão poços foram perfurados, distribuição de alimentos na entressafra fo­ram feitos e carros-pipas vêm distribuindo água na medida do possível.

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